Sim, existe uma Jusbrasil API. Ela é comercializada pelo Jusbrasil Soluções, a unidade corporativa do Jusbrasil, e permite consultar processos por número CNJ, nome, CPF ou CNPJ, monitorar andamentos, capturar novas distribuições e acompanhar diários oficiais. O acesso não é self-service: a API é contratada por meio de um contrato de serviços, e os planos publicados partem de faturamento mínimo mensal mais cobrança por chamada.
Neste guia você vai ver o que a API do Jusbrasil entrega, como funciona a autenticação, o que se sabe sobre preço, quais são as limitações para quem desenvolve software para escritórios de advocacia e quais alternativas existem, incluindo a opção de construir a sua própria API jurídica a partir de fontes oficiais.
O que é a Jusbrasil API
O Jusbrasil é conhecido pelo portal de consulta de jurisprudência, processos e diários. Para empresas, a oferta de dados via integração fica sob a marca Jusbrasil Soluções, que em 2021 incorporou o Digesto, empresa de dados jurídicos estruturados adquirida pelo Jusbrasil (Conjur). Por isso, se você ler a documentação técnica, vai encontrar exemplos que apontam para o domínio op.digesto.com.br: as duas marcas hoje fazem parte da mesma operação.
A documentação pública fica em api.jusbrasil.com.br/docs e organiza os produtos em módulos. Os principais, segundo a própria documentação:
- Monitoramento de processos: Você cadastra números de processo e a API coleta atualizações diariamente nos sistemas dos tribunais, devolvendo os eventos por webhook.
- Distribuição (novos processos): Cadastro de partes para ser avisado quando surge um processo novo contra elas, útil para evitar revelia.
- Consulta processual: Consulta por número, por nome e por CPF/CNPJ, com retorno síncrono. Há também consulta em lote (em beta) que aceita arquivos CSV com até 3.000 CPFs/CNPJs.
- Autos processuais: Download de documentos do processo, públicos e, conforme o contrato, restritos.
- Diários oficiais, intimações e busca por OAB: Busca e monitoramento de publicações, gestão de intimações e audiências e pesquisa de processos pelo registro do advogado.
- Background check e motor de decisão: Produtos voltados a crédito, risco e compliance, com retorno estruturado por CPF ou CNPJ.
Como acessar a API do Jusbrasil
Não existe cadastro com chave gratuita para testar sozinho. A página Como contratar é direta: o uso da API deve ocorrer dentro de um contrato de serviços, no qual as condições de uso são formalizadas e as credenciais são fornecidas. O caminho é falar com o time comercial pelo site, explicar o volume e o caso de uso e receber uma proposta.
Com o contrato ativo, a autenticação é por token. A documentação recomenda enviar o token no cabeçalho Authorization no padrão Bearer e também aceita HTTP Basic, usando o token como usuário e a senha em branco. Alguns módulos, como a consulta em lote, usam um cabeçalho apikey próprio. Os tokens são gerados e resetados no painel de gestão de usuários da conta.
Quanto custa a Jusbrasil API
A página comercial das APIs do Jusbrasil Soluções (consultado em setembro de 2026) mostra três modalidades. Os valores publicados são pontos de partida; o preço final depende do volume e é fechado em proposta.
| Plano | Preço publicado | Modelo | O que inclui (segundo o site) |
|---|---|---|---|
| Legal | A partir de R$ 1.000/mês | Faturamento mínimo + cobrança por chamada | Até 1.000 processos retornados em buscas por nome ou CPF, até 2.000 processos monitorados com andamentos diários, até 250 novas distribuições com autos |
| Risco | A partir de R$ 1.000/mês | Faturamento mínimo + cobrança por chamada | Até 250 consultas de background check por CPF ou CNPJ, motor de decisão e auditoria por avaliação processual |
| Sob demanda | Sob consulta | Proposta personalizada | Volume e funcionalidades definidos com o time comercial |
Na mesma página, o Jusbrasil informa cobertura de 96 tribunais, mais de 500 milhões de processos na base atualizada diariamente e tempo médio de retorno abaixo de 1 segundo. São números do próprio fornecedor; vale validá-los em um teste com a sua carteira real de processos antes de fechar contrato.
Limitações da Jusbrasil API para quem desenvolve
A API do Jusbrasil é uma solução robusta, feita para bancos, fintechs, departamentos jurídicos e escritórios de volume. Para um desenvolvedor, uma agência ou um freelancer que atende escritórios menores, alguns pontos pesam na decisão:
- Custo de entrada: O faturamento mínimo publicado já parte de R$ 1.000 por mês. Para quem está validando um produto com poucos clientes, isso consome boa parte da margem antes do primeiro contrato.
- Preço acompanha o volume: Com cobrança por chamada, cada novo escritório atendido aumenta a fatura. É o esperado em qualquer API comercial, mas muda a conta de quem quer escalar um SaaS.
- Contratação comercial: Sem chave de teste self-service, o ciclo de avaliação passa por reunião, proposta e contrato.
- Dependência do fornecedor: Os campos, a frequência de atualização e as regras de revenda dos dados são definidos em contrato. Se as condições mudarem, o seu produto muda junto.
Nada disso torna a API ruim. Significa apenas que ela faz mais sentido para quem tem volume e orçamento previsíveis. Se esse não é o seu caso, vale olhar as alternativas.
Alternativas à Jusbrasil API
O mercado brasileiro de dados processuais tem outros fornecedores comerciais e também fontes públicas oficiais. A tabela resume o que cada um publica sobre acesso e preço. Para um panorama completo de todas as formas de obter esses dados, veja o guia de API de processos judiciais.
| Opção | Tipo | Autenticação | Preço | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Jusbrasil Soluções | Comercial | Token Bearer (ou Basic) | A partir de R$ 1.000/mês + chamadas | Consulta, monitoramento, distribuição, diários e background check |
| Digesto | Comercial (parte do Jusbrasil Soluções) | api_key fornecida em contrato | Sob consulta | Monitoramento, diários com andamentos classificados, background check |
| Escavador | Comercial | Token pessoal (PAT) Bearer | Créditos pré-pagos ou contrato pós-pago; valores por rota no painel | Consulta por CNJ, nome, CPF/CNPJ e OAB, monitoramento e callbacks |
| Codilo | Comercial | OAuth 2.0 (client credentials) | Não divulgado publicamente | Consulta e monitoramento acessando as plataformas dos tribunais |
| Judit | Comercial | Chave no cabeçalho api-key | Planos pré e pós-pagos; valores sob consulta | Consulta síncrona (base própria), assíncrona e sob demanda, monitoramento com webhooks |
| DataJud (CNJ) | Pública e gratuita | Chave pública publicada na wiki do CNJ | Gratuita | Metadados e movimentações de todos os ramos; sem dados de partes; uso não comercial |
Fontes: documentação do Escavador, documentação da Codilo, documentação da Judit, planos da Judit, documentação do Digesto e wiki do DataJud.
DataJud: a alternativa gratuita, com ressalvas importantes
A API pública do DataJud, mantida pelo CNJ, costuma ser a primeira alternativa gratuita que aparece. Ela expõe a Base Nacional de Dados do Poder Judiciário em endpoints Elasticsearch, um por tribunal, no formato https://api-publica.datajud.cnj.jus.br/api_publica_<tribunal>/_search. A autenticação usa o cabeçalho Authorization: APIKey com uma chave pública que o CNJ publica na página de acesso da wiki e que pode ser trocada a qualquer momento.
curl -X POST "https://api-publica.datajud.cnj.jus.br/api_publica_tjsp/_search" \
-H "Authorization: APIKey SUA_CHAVE_PUBLICA" \
-H "Content-Type: application/json" \
-d '{
"query": {
"match": { "numeroProcesso": "NUMERO_CNJ_SEM_PONTUACAO" }
}
}'Duas ressalvas pesam para quem quer vender software. Primeiro, a API entrega capa e movimentações, mas protege processos sigilosos e não traz dados de partes, então não serve para buscar processos por nome ou CPF. Segundo, o Termo de Uso diz que a API é fornecida para fins não comerciais e que o usuário concorda em não vender ou explorar comercialmente a API ou informação derivada dela. Ou seja: é uma ótima fonte para estudo, validação e uso interno, mas não pode ser a base de revenda de um produto pago.
Vale a pena criar sua própria API jurídica em vez de usar a Jusbrasil API?
Depende do seu volume e do seu objetivo. Se você precisa de dados por CPF/CNPJ em escala nacional amanhã, para análise de crédito, contratar um fornecedor é o caminho mais curto. Mas se o seu negócio é atender escritórios de advocacia com monitoramento de processos, a conta muda: o escritório quer saber o que mudou nos processos que ele já acompanha, e isso você consegue entregar com um robô próprio, cobrando uma mensalidade que não é corroída por custo por chamada.
O outro lado precisa ser dito com clareza: API própria tem custo de manutenção. Tribunais mudam páginas, sistemas saem do ar, formatos de dados mudam. Alguém precisa perceber a quebra e corrigir. A diferença é que esse custo é seu e previsível, e o conhecimento acumulado vira ativo do seu negócio.
Por que ter sua própria API jurídica
| Critério | API de terceiros | Sua própria API jurídica |
|---|---|---|
| Custo | Cobrança por consulta, crédito ou processo monitorado. Quanto mais você cresce, mais paga. | Custo de servidor e desenvolvimento, que se dilui conforme a base de clientes cresce. |
| Escalabilidade | O preço acompanha o volume: 10 vezes mais processos costuma significar uma fatura bem maior. | Você escala a infraestrutura. O custo por processo adicional cai à medida que a base cresce. |
| Tudo é seu | Código, regras e histórico ficam no fornecedor. Cancelou o contrato, perdeu o acesso. | Código, banco de dados e histórico de movimentações são seus, para sempre. |
| Personalização | Você recebe os campos e alertas que o fornecedor decidiu oferecer. | Você cria os alertas que o escritório precisa: prazos, OAB, UF, processos parados. |
| Dependência | Reajuste, mudança de termos ou descontinuação do serviço afetam direto o seu produto. | Sem lock-in. Você decide quando e como evoluir. |
| Virar produto | Revender os dados depende do contrato e da margem que sobra depois da mensalidade. | Vire a API, o SaaS ou o software sob medida que você vende para escritórios. |
| Manutenção | O fornecedor cuida das mudanças nos tribunais. | Você cuida, com processo e ferramentas certas. É exatamente isso que se aprende. |
| Aprendizado | Não se aplica: você só consome. | Fácil de aprender com um caminho já validado em escritório de advocacia real. |
Como funciona uma API jurídica própria
Em alto nível, qualquer API de monitoramento processual, inclusive as comerciais, segue a mesma arquitetura. O que muda é a escala e quem cuida de cada peça.
- 1. Fontes oficiais: Consultas públicas dos tribunais, o DataJud do CNJ (respeitando o termo de uso), a API pública de comunicações do Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) e, quando o cliente tem credenciais, a integração oficial via MNI em sistemas como o PJe.
- 2. Coletor (o robô): Um agendador que consulta cada fonte em intervalos definidos, com limite de requisições, tentativas com espera e registro de falhas. Nada de contornar captcha ou bloqueio: se a fonte exige, ela fica fora do fluxo automático.
- 3. Normalização: Cada tribunal devolve os dados de um jeito. Aqui você padroniza número CNJ, datas, classes, assuntos e movimentações em um modelo único.
- 4. Banco de dados: Guarda o histórico completo de cada processo. É ele que permite comparar o estado de hoje com o de ontem.
- 5. Detecção de mudanças: Compara o que foi coletado com o que já existia e gera eventos: nova movimentação, nova publicação, mudança de fase.
- 6. Alertas e webhooks: Envia os eventos por e-mail, WhatsApp, painel ou webhook assinado para o sistema do escritório.
- 7. Camada de API: Endpoints REST autenticados, com controle de acesso por cliente, para cadastrar processos, consultar histórico e receber eventos.
Dois cuidados valem para qualquer projeto desse tipo. A LGPD se aplica: dados processuais trazem nomes, CPFs e informações sensíveis, então você precisa de base legal, controle de acesso e registro de quem consultou o quê. E cada fonte tem seus termos de uso, que devem ser lidos antes de o robô entrar em produção. Para quem vai atender um tribunal específico, os guias de API do TJSP e API do Projudi detalham as particularidades.
Essa é exatamente a trilha do workshop de robô de monitoramento processual: onde buscar processos atualizados, o que importa para um escritório, processo de desenvolvimento, riscos, ferramentas e, por fim, o robô funcionando. O método está em produção no escritório Mattozo & Ribeiro Advocacia.
O Jusbrasil tem API?
Sim. A API é oferecida pelo Jusbrasil Soluções, com módulos de consulta processual, monitoramento, distribuição, autos, diários oficiais e background check. A documentação pública está em api.jusbrasil.com.br/docs.
A API do Jusbrasil é gratuita?
Não. O uso depende de contrato de serviços. Os planos Legal e Risco são publicados a partir de R$ 1.000 por mês, com faturamento mínimo mais cobrança por chamada (consultado em setembro de 2026).
Como conseguir o token da Jusbrasil API?
Após a contratação, as credenciais são fornecidas e o token é gerado no painel de gestão de usuários. A autenticação recomendada é o cabeçalho Authorization no padrão Bearer.
Qual a diferença entre Jusbrasil e Digesto?
O Digesto foi adquirido pelo Jusbrasil em 2021 e hoje faz parte do Jusbrasil Soluções. A documentação da API do Jusbrasil inclusive usa exemplos com o domínio op.digesto.com.br.
Existe API gratuita de processos judiciais?
Sim, a API pública do DataJud, do CNJ, é gratuita e traz capa e movimentações de processos de todos os ramos da Justiça. Ela não traz dados de partes e o termo de uso restringe o uso comercial.
Posso revender dados da Jusbrasil API no meu sistema?
Depende do contrato. As condições de uso, inclusive de redistribuição, são formalizadas no contrato de serviços, então confirme com o fornecedor antes de embutir os dados em um produto seu.
É possível criar uma alternativa própria à Jusbrasil API?
Sim, para monitoramento de processos que o escritório já conhece. A arquitetura envolve coletor, normalização, banco, detecção de mudanças e alertas. Exige manutenção contínua e respeito aos termos de uso de cada fonte.



