Diagrama de integração entre sistemas de tribunais, uma API de processos judiciais e o software de um escritório de advocacia
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API de processos judiciais: todas as opções no Brasil e como escolher

21 de setembro de 202610 min de leitura

Uma API de processos judiciais é uma interface que devolve, em formato estruturado (geralmente JSON), dados de processos: capa, partes, classe, assuntos, movimentações, publicações e, em alguns casos, documentos. No Brasil, existem cinco caminhos para obter esses dados: APIs comerciais (Jusbrasil, Escavador, Judit, Codilo e outras), a API pública do DataJud do CNJ, a API de comunicações do Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN), a integração oficial via MNI em sistemas como o PJe e as consultas públicas dos próprios tribunais.

Cada caminho tem um custo, uma cobertura e uma regra de uso diferentes. Este guia compara todos, mostra como escolher conforme o seu caso e explica quando vale construir a sua própria API jurídica, com os custos que isso traz.

Para que serve uma API de processos judiciais

Quem procura esse tipo de API quase sempre quer resolver um destes problemas:

  • Monitoramento de carteira: O escritório já sabe quais processos acompanha e quer ser avisado de cada movimentação nova, sem abrir o site de cada tribunal.
  • Captura de publicações e intimações: Receber as comunicações publicadas em nome dos advogados do escritório, que contam prazo.
  • Descoberta de processos: Encontrar processos por nome, CPF, CNPJ ou OAB, por exemplo para saber se um cliente foi acionado.
  • Análise de risco e due diligence: Levantar o histórico processual de pessoas e empresas para crédito, compliance ou contratação.
  • Jurimetria e pesquisa: Estatísticas agregadas por classe, assunto, vara ou tribunal.

Essa distinção importa, porque a melhor fonte muda de um caso para outro. Monitorar uma carteira conhecida é bem diferente de descobrir processos por CPF no país inteiro.

As opções de API de processos judiciais no Brasil

1. APIs comerciais

Empresas que coletam, normalizam e revendem dados processuais. Entregam o pacote pronto: busca por número, parte e OAB, monitoramento, webhooks e base histórica. Os principais nomes:

  • Jusbrasil Soluções: Consulta, monitoramento, distribuição, autos, diários e background check. Contratação por contrato, com planos publicados a partir de R$ 1.000 por mês mais cobrança por chamada. O Digesto, adquirido em 2021, faz parte dessa operação. Detalhes no guia da Jusbrasil API.
  • Escavador: API v1 e v2 com token Bearer, consulta por CNJ, nome, CPF/CNPJ e OAB, atualização sob demanda nos tribunais, monitoramento e callbacks. Cobrança por créditos. Veja o guia da Escavador API.
  • Judit: Consultas síncronas na base própria, assíncronas e sob demanda, além de monitoramento com webhooks. Autenticação por chave no cabeçalho api-key e planos pré ou pós-pagos, com valores sob consulta.
  • Codilo: Consulta e monitoramento acessando as plataformas dos tribunais, com autenticação OAuth 2.0 (client credentials). Preço não divulgado publicamente.

Vantagem: rapidez para colocar no ar e cobertura nacional. Contrapartida: custo por uso ou mensalidade que cresce com o volume, e dependência das regras do fornecedor.

2. API pública do DataJud (CNJ)

O DataJud é a Base Nacional de Dados do Poder Judiciário, e o CNJ oferece uma API pública e gratuita sobre ela. Há um endpoint Elasticsearch por tribunal, cobrindo tribunais superiores e as Justiças Federal, Estadual, do Trabalho, Eleitoral e Militar. A autenticação usa Authorization: APIKey com uma chave pública divulgada na página de acesso, que o CNJ pode trocar a qualquer momento. A paginação é feita com size (de 10 até 10.000 registros por página) e search_after, ordenando por @timestamp, segundo o tutorial oficial.

curl -X POST "https://api-publica.datajud.cnj.jus.br/api_publica_trf1/_search" \
  -H "Authorization: APIKey SUA_CHAVE_PUBLICA" \
  -H "Content-Type: application/json" \
  -d '{
    "size": 10,
    "query": {
      "match": { "numeroProcesso": "NUMERO_CNJ_SEM_PONTUACAO" }
    }
  }'
Busca por número de processo no DataJud (use a chave pública publicada na wiki do CNJ)

Limites que você precisa conhecer: a API traz capa e movimentações, mas protege processos sigilosos e dados de partes, então não há busca por nome ou CPF. O CNJ não garante a atualidade dos dados, que chegam por remessas dos tribunais. E o Termo de Uso define a API para fins não comerciais e proíbe vender ou explorar comercialmente a API ou informação derivada dela. Aprofunde nos guias de API do DataJud e API do CNJ.

3. API de comunicações do DJEN

O Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN), regulamentado pela Resolução CNJ nº 455/2022 e alterado pela Resolução nº 569/2024, concentra a publicação de atos judiciais. Desde 16 de maio de 2025 os prazos passaram a ser contados com base nas publicações do DJEN e do Domicílio Judicial Eletrônico (AASP). Isso torna o DJEN uma fonte central para quem monitora intimações.

A consulta de comunicações é feita pela API do PJe Comunica, em https://comunicaapi.pje.jus.br/api/v1/comunicacao, e em nosso teste de setembro de 2026 respondeu sem autenticação a filtros como número e UF da OAB. O retorno traz data de disponibilização, tribunal, tipo de comunicação, órgão e o texto da publicação.

curl "https://comunicaapi.pje.jus.br/api/v1/comunicacao?numeroOab=123456&ufOab=SP&itensPorPagina=5"
Comunicações publicadas no DJEN para uma OAB (número e UF são placeholders)

Use com moderação, pagine com calma e respeite eventuais limites e regras publicados pelo CNJ. É uma fonte oficial compartilhada por todo o país.

4. PJe e o MNI

O Modelo Nacional de Interoperabilidade (MNI) é o padrão do CNJ para troca de dados entre sistemas judiciais e entidades externas. É um serviço SOAP, com operações como consultarProcesso, consultarAvisosPendentes e consultarTeorComunicacao, e exige credenciais do consultante (idConsultante e senhaConsultante), normalmente de um advogado ou órgão cadastrado. Não é uma API aberta: serve para integrar o sistema do escritório com a conta do próprio advogado. A disponibilidade varia por tribunal. Veja o guia de API do PJe.

5. Sistemas dos tribunais: e-SAJ, Projudi, eproc

Além do PJe, tribunais usam sistemas como e-SAJ (caso do TJSP), Projudi e eproc. Em geral eles oferecem consulta pública pelo navegador e, para entidades cadastradas, integrações específicas, mas não uma API REST aberta e padronizada. Consultas públicas podem ter captcha e limites de acesso, que devem ser respeitados. As particularidades estão nos guias de API do TJSP e API do Projudi. Para quem quer monitorar por advogado, o guia de API da OAB explica o que dá e o que não dá para obter a partir do número de inscrição.

Comparativo: qual API de processos judiciais usar

FonteCustoAcessoBusca por parte/CPFTempo realUso comercial
APIs comerciais (Jusbrasil, Escavador, Judit, Codilo)Pago: créditos, por chamada ou mensalidadeContrato ou cadastro + tokenSimBase própria + atualização sob demandaConforme contrato
DataJud (CNJ)GratuitoChave públicaNão (dados de partes protegidos)Não: depende das remessas dos tribunaisNão: termo de uso veda exploração comercial
DJEN / PJe ComunicaGratuitoConsulta abertaPor OAB e processo; o texto da publicação cita partesDiário: publicações do diaVerifique os termos do CNJ
PJe via MNIGratuitoCredenciais do advogado ou órgãoProcessos acessíveis ao consultanteSim, direto do sistemaUso vinculado à credencial
Consulta pública dos tribunais (TJSP, Projudi)GratuitoNavegador; sem API aberta padronizadaVaria por tribunalSim, é a fonte primáriaRespeite termos, captcha e limites de cada tribunal
API própriaServidor + desenvolvimento + manutençãoVocê defineDepende das fontes que você integraVocê define a frequênciaSeu produto, dentro das regras de cada fonte
Formas de obter dados de processos judiciais via API no Brasil (consultado em setembro de 2026)

Como escolher uma API de processos judiciais

Responda a quatro perguntas antes de assinar qualquer coisa:

  • Você conhece os processos ou precisa descobri-los?: Para descobrir processos por CPF em todo o país, um fornecedor comercial com base histórica ganha com folga. Para monitorar uma carteira conhecida, fontes oficiais e um robô próprio resolvem.
  • Quanto atraso é aceitável?: Para prazo, o que vale é a publicação oficial. O DataJud serve para estatística e histórico, não para alerta de prazo.
  • Qual o volume daqui a um ano?: Simule a fatura com 10 vezes mais processos. Modelos por chamada que parecem baratos em 100 processos mudam de figura em 10 mil.
  • Os dados vão para um produto que você vende?: Leia o contrato ou o termo de uso. O DataJud, por exemplo, veda uso comercial, e fornecedores comerciais definem regras de redistribuição em contrato.

Vale a pena criar sua própria API de processos judiciais?

Para quem desenvolve para escritórios de advocacia, muitas vezes sim. O escritório paga por tranquilidade: saber, todo dia, o que mudou nos processos dele e quais prazos começaram a correr. Esse serviço pode ser entregue com fontes oficiais e um robô bem feito, e a receita de mensalidade deixa de ser consumida pelo custo por consulta de um fornecedor.

O custo real está na manutenção. Tribunais atualizam sistemas, mudam layouts, ficam fora do ar. Sem monitoramento do próprio robô, você só descobre a quebra quando o cliente reclama. Por isso, a decisão não é "grátis contra pago": é trocar custo variável por custo fixo de engenharia e conhecimento acumulado. Um modelo híbrido, com robô próprio para monitorar e fornecedor pago para buscas pontuais por CPF, é bem comum.

Por que ter sua própria API jurídica

CritérioAPI de terceirosSua própria API jurídica
CustoCobrança por consulta, crédito ou processo monitorado. Quanto mais você cresce, mais paga.Custo de servidor e desenvolvimento, que se dilui conforme a base de clientes cresce.
EscalabilidadeO preço acompanha o volume: 10 vezes mais processos costuma significar uma fatura bem maior.Você escala a infraestrutura. O custo por processo adicional cai à medida que a base cresce.
Tudo é seuCódigo, regras e histórico ficam no fornecedor. Cancelou o contrato, perdeu o acesso.Código, banco de dados e histórico de movimentações são seus, para sempre.
PersonalizaçãoVocê recebe os campos e alertas que o fornecedor decidiu oferecer.Você cria os alertas que o escritório precisa: prazos, OAB, UF, processos parados.
DependênciaReajuste, mudança de termos ou descontinuação do serviço afetam direto o seu produto.Sem lock-in. Você decide quando e como evoluir.
Virar produtoRevender os dados depende do contrato e da margem que sobra depois da mensalidade.Vire a API, o SaaS ou o software sob medida que você vende para escritórios.
ManutençãoO fornecedor cuida das mudanças nos tribunais.Você cuida, com processo e ferramentas certas. É exatamente isso que se aprende.
AprendizadoNão se aplica: você só consome.Fácil de aprender com um caminho já validado em escritório de advocacia real.
Comparativo geral. Preços e condições de cada fornecedor variam e devem ser confirmados diretamente com ele.

Arquitetura de uma API de processos judiciais própria

Em alto nível, estas são as peças. É a mesma estrutura dos fornecedores comerciais, em escala menor e sob o seu controle:

  • Fontes: DJEN para publicações, consultas públicas dos tribunais para andamentos, MNI com credenciais do escritório quando disponível e DataJud dentro do termo de uso, por exemplo para estudo e validação.
  • Coletor: Fila de tarefas por processo e por fonte, frequência configurável, limite de requisições, tentativas com espera exponencial e registro de cada falha. Captchas e bloqueios não são contornados.
  • Normalização: Número CNJ padronizado (20 dígitos), datas em ISO 8601, classes e assuntos pelas Tabelas Processuais Unificadas do CNJ, movimentações em um formato único.
  • Banco de dados: Histórico completo por processo, com hash de cada movimentação para identificar o que é novo.
  • Detecção de mudanças: Compara a coleta atual com a anterior e gera eventos: nova movimentação, nova publicação, mudança de instância, processo parado há X dias.
  • Alertas e webhooks: E-mail, WhatsApp ou webhook assinado para o sistema do cliente, com reenvio em caso de falha e idempotência.
  • Camada de API: REST com token por cliente, autorização aplicada na consulta ao dado (um escritório nunca vê processos de outro) e log de acesso.
{
  "evento": "nova_movimentacao",
  "processo": "0000000-00.0000.0.00.0000",
  "tribunal": "TJSP",
  "movimentacao": {
    "data": "2026-09-21T10:32:00-03:00",
    "descricao": "Juntada de petição"
  },
  "detectado_em": "2026-09-21T11:00:12-03:00"
}
Exemplo de evento que a sua API pode enviar por webhook ao detectar uma movimentação

Dois pontos legais não são opcionais. A LGPD se aplica: processos trazem nomes, documentos e às vezes dados sensíveis, então defina base legal, restrinja acesso e registre quem consultou o quê. E cada fonte tem termos de uso próprios, que devem ser lidos antes de o robô entrar em produção.

É esse o conteúdo do workshop de robô de monitoramento processual, que é online e mão na massa: onde buscar processos atualizados, o que é importante para um escritório de advocacia, processo de desenvolvimento, riscos, ferramentas e processos necessários e a criação do robô. O método está validado e em produção no Mattozo & Ribeiro Advocacia.

Existe API gratuita de processos judiciais?

Sim. A API pública do DataJud, do CNJ, é gratuita e traz capa e movimentações, sem dados de partes e para uso não comercial. A API de comunicações do DJEN também é pública e permite consultar publicações por OAB.

Qual a melhor API de processos judiciais?

Depende do caso. Para buscar processos por CPF em todo o país, APIs comerciais como Jusbrasil e Escavador. Para monitorar a carteira de um escritório, fontes oficiais com um robô próprio costumam ter melhor custo no longo prazo.

Como consultar processos por CPF via API?

Pelas APIs comerciais, que oferecem busca por nome e CPF/CNPJ. O DataJud não permite, porque protege os dados de partes. Mesmo nas comerciais, a busca por CPF pode falhar quando o tribunal não registra o documento da parte.

O PJe tem API?

O PJe oferece integração via MNI, um serviço SOAP que exige credenciais do consultante, como as de um advogado cadastrado. Não é uma API aberta para consulta livre.

Posso usar dados do DataJud em um produto pago?

O Termo de Uso da API pública do DataJud a define para fins não comerciais e proíbe vender ou explorar comercialmente informação derivada dela. Para produto pago, use outras fontes e consulte um advogado.

É legal monitorar processos judiciais com robô?

Consultar informações públicas é possível, mas você precisa respeitar os termos de uso de cada fonte, não contornar captchas ou bloqueios e cumprir a LGPD no tratamento dos dados pessoais.

Quanto custa criar uma API de processos judiciais própria?

O custo principal é desenvolvimento e manutenção, mais servidor. As fontes oficiais são gratuitas, mas exigem acompanhamento constante das mudanças nos sistemas dos tribunais.

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